sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Balbúrdia PoÉtica

Balbúrdia PoÉtica 12

Dia 14 de março 19h

Casarão Centro Cultural

Rua Salvador Correia, 117

Campos dos Goytacazes-RJ

Uma homenagem ao Poeta Castro Alves

no Dia Nacional da Poesia

com Artur Gomes, Adriana Medeiros e Dalton Freire

Marçal Tupã

 

poema de Artur Gomes

dos livros: Suor & Cio - 1985

Pátria A(r)mada - 2022

musicado e gravado

por Paulo Ciranda

 *

meu coração marçal tupã

sangra tupy & rock and roll

meu sangue tupiniquim

em corpo tupinambá

samba jongo maculelê

maracatu boi bumbá

a veia de curumim

é coca cola e guaraná

* 

clique no link para ver o vídeo

https://www.youtube.com/shorts/Boc9bqDOSms

Por Onde Andará Macunaíma?

*

Fulinaíma MultiProjetos

22 99815-1268 – zap

Produção: Nilson Siqueira

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fulinaimanicamente voz digo

https://fulinaimamultiprojetos.blogspot.com/


Balbúrdia PoÉtica 14

Dia 31 de maio - no Museu do Sal

São Pedro de Aldeia-RJ

Poeta Homenageado: Tanussi Cardoso

Performance PoÉtica

com Tanussi Cardoso, Artur Gomes, Adriana Medeiros, Dalton Freire, José Facury Heluy e Jorge Ventura - entre outros.


SUBSTANTIVOS

 

faca é faca

pão é pão

fome é fome

amor é amor

estranho desígnio das coisas

de serem exatamente elas

quando as olhamos sem paixão

 

Tanussi Cardoso


A poesia pulsa

para Tanussi Cardoso

aqui

a poesia pulsa

na veia

no vinho

no peito

no pulso

na pele

nos nervos

nos músculos

nos ossos

posso falar o que sinto

posso sentir o que posso

aqui

a poesia pulsa

nas coisas

nos códigos

nos signos

os significantes

os significados

aqui

a poesia pulsa

na pele da minha blusa

na íris dos olhos da minha musa

toda vez que ela me usa

nas iguarias de Bento

quando trampo mais não troco

quando troco mas não trapo

nas pipas

nos vinhedos nos arcos

nas madrugadas dos bares

sampleando o bolero blues

rasgado num guardanapo

o poema pra Juliana

escrito na cama do quarto

no copo de vinho

na boca de Vênus

na bola da vez da sinuca

sangrada pelo meu taco

aqui

a poesia pulsa

nos cabelos brancos da barba

nas gargalhadas de Bacca

na divina língua de Baco

 

Artur Gomes

O Poeta Enquanto Coisa

Editora Penalux – 2020

https://fulinaimacarnavalhagumes.blogspot.com/

Fulinaíma MultiProjetos

22 99815-1268 - zap

Curadoria: Lis Badu

Produção: Nilson Siqueira

Direção: Artur Gomes

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Por Onde Andará Macunaíma?

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*

 Balbúrdia PoÉtica 13

Poetas Homenageados:

Ademir Assunção e Frederico Barbosa

À Memória de Oswald de Andrade

Última semana de Abril

Data e local – definição está aos cuidados do curador – Cesar Agusto de Carvalho

 

TANTO ÓDIO CARLOS

 

o mundo é grande

 e tem extremos

 

tem estrela e tem estrume

tem perfume e tem veneno

 

tem dias a gente ama

tem dias a gente briga

 

mundo vasto mundo

mundo malo mundo bueno

 

não me chamo raimundo

mas algo estranho me intriga

 

como cabe tanto ódio

num caráter tão pequeno

 

Ademir Assunção

do livro

Risca Faca (2021)

editora Demônio Negro

https://www.demonionegro.com.br/product/risca-faca/


Por Onde Andará Macunaíma?


Fulinaíma MultiProjetos

22 – 99815-1268

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fulinaimanicamente foz digo

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dentro da noite veloz

 

quando estive em Ubatuba

não era junho de chuva

lágrimas de Oxum menina

encharcaram minha íris – viúva

dentro da noite veloz

e na vertigem do dia


aquela prova dos nove

não foi nenhuma alegria

muito pelo contrário

me deu angústia agonia

a menina dos meus olhos

que beijei na algaravia

 

  dentro da noite veloz

    e na vertigem do dia



tudo o que não cala

 

a fala em mim

tudo o que não cala

fulinaimicamente

                    eu falo

como se ele estivesse

na concepção

do mato dentro

bem no centro

meu universo pulsa

no impulso

de não perder a boca

não dormir de toca

enquanto o tempo passa

com seus Retalhos Imortais do SerAfim

“e a vida

anda passando a mão em mim”

 

Irina Fulinaímica

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 fulinaimanicamente falando

voz digo : Itabira

a nossa senhora da conceição

do mato dentro me engoliu

inteiro como uma sucuri

quando engole um boi

à beira do amazonas

ontem me perdi na zona

com Maria Antonieta

voltamos  de bicicleta

não passa uber por aqui

nas madrugadas nem fomos de táxi

porque também não tem

iluminação pública inexiste

nos salvou da escuridão

um bando de vagalumes boêmios

com suas lanternas sob as asas

 

Federico Baudelaire

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*

Que delícia de texto!  Federico mistura elementos da natureza, da cultura e da vida noturna de uma forma surreal e poética.

A imagem de Itabira como uma "sucuri que engole um boi" é poderosa e sugere uma cidade que absorve as pessoas, talvez de forma intensa e avassaladora. A menção a Maria Antonieta e a volta de bicicleta pela "zona" (provavelmente uma área boêmia) cria um clima de aventura e liberdade.

A ausência de Uber táxi, e a falta de iluminação pública, contrasta com a salvação trazida pelos "vagalumes boêmios com suas lanternas sob as asas", que pode ser interpretada como a poesia, a arte ou a própria imaginação salvando as pessoas da escuridão.

Federico Baudelaire é um pseudônimo interessante, misturando referências a Federico García Lorca e Charles Baudelaire, ambos poetas que exploraram temas de amor, morte e a condição humana.

O que você acha que os "vagalumes boêmios" representam nesse contexto? Ou é mais uma imagem poética para criar um clima?

Irina Fulinaímica

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Retalhos Imortais do SerAfim

não gosto da palavra saudade me dá tédio e não tem remédio que dê jeito, me aperta o peito fico tonta como quem passeia na zona branca, e carrega bandeira que já se rasgou, algumas vezes duvido do que sou. fico me perguntando até de onde vim, se os Retalhos Imortais do SerAfim, são meus, ou quem me deu foi Zeus me fazer de Vênus me encantar de Afrodite para quem quiser que acredite no real que é seu.

Irina Fulinaímica

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*

Que poema intenso e emocional!  A rejeição à palavra "saudade" é clara, e a descrição de como ela afeta a autora é poderosa: "me dá tédio e não tem remédio que dê jeito, me aperta o peito fico tonta". A imagem da "zona branca" e da "bandeira que já se rasgou" sugere uma sensação de perda e desorientação.

A dúvida sobre a própria identidade é um tema recorrente, com a autora Irina Fulinaímica questionando "até de onde vim" e se os "Retalhos Imortais do SerAfim" são seus ou foram dados por alguém (Zeus, no caso). A referência à mitologia grega é interessante, sugerindo que a identidade é algo complexo e multifacetado.

O final, "me fazer de Vênus me encantar de Afrodite para quem quiser que acredite no real que é seu", é uma declaração de autonomia e auto-aceitação, como se a autora estivesse dizendo que ela é quem ela quer ser, independentemente do que os outros pensem.

Você acha que esse poema é uma reflexão sobre a identidade e a auto-aceitação, ou é mais uma expressão da dor e da confusão emocional da autora?

Federika Lispector


para

excitar os meus neurônios

           na travessia da existência

           entre anjos e demônios

                      poesia é resistência

*

cavaleiro da esperança

à memória de Luis Carlos Prestes

 

prestes a morrer

na contra/dança

a herança é uma só

nunca perder a fé

pela mudança

na andança

por um poema maior

 

Artur Gomes

*

Que final incrível para uma sequência de poemas!  O "cavaleiro da esperança" é uma imagem poderosa, remetendo à ideia de alguém que segue em frente, mesmo diante das adversidades, "prestes a morrer na contra/dança".

A frase "a herança é uma só nunca perder a fé pela mudança na andança" é uma mensagem de resistência e perseverança, mostrando que, apesar das dificuldades, é importante manter a fé e seguir em frente.

E o final "por um poema maior" é uma declaração de intenções, como se o eu lírico estivesse em busca de algo mais, de uma expressão maior, mais profunda e mais autêntica.

Você acha que esse poema é uma conclusão para a sequência, ou é um novo começo, um novo impulso para a jornada do eu lírico?

                       Irina Fulinaímica

*

Esse poema acima de Artur Gomes, cavaleiro da esperança, dedicado a memória de Luis Carlos Prestes, é para um novo livro que ele está  escrevendo: Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim. Em comemoração aos 30 anos de um projeto cultural multilinguagens, de sua autoria  que teve  como objetivo fazer uma releitura da dobra de Oswald de Andrade, e foi executado pelo SESC-São Paulo. No livro, Artur Gomes, vem escrevendo poemas que remetam a heranças culturais, e memória sobre os tempos sombrios que ainda pairam por esse Brasil pós/moderno. Os poema já escritos, podemos perceber que tem uma linguagem bem direta, sintética quase concreta

como este que abre o livro

 

para

excitar os meus neurônios

           na travessia da existência

           entre anjos e demônios

                      poesia é resistência

 

Luna de Oliveira

*

Que contexto incrível!  O poema "cavaleiro da esperança" ganha um novo significado com a dedicatória a Luis Carlos Prestes e a proposta do livro "Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim".

A ideia de um projeto cultural multilinguagens que revisita Oswald de Andrade é fascinante, e os poemas de Artur Gomes parecem ser uma continuação dessa busca por uma linguagem que capture a complexidade do Brasil pós/moderno.

A linguagem "direta, sintética quase concreta" dos poemas é uma escolha interessante para abordar temas como heranças culturais, memória e resistência. E a ideia de que "poesia é resistência" é uma declaração de intenções clara, mostrando que a poesia é uma forma de luta e de enfrentamento aos "tempos sombrios" que ainda pairam sobre o Brasil.

Você acha que o livro "Retalhos Imortais do SerAfim" será uma obra importante para entender a poesia brasileira contemporânea, ou é mais um projeto pessoal de Artur Gomes?

Irina Fulinaímica

*

No projeto Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim, Artur Gomes, além de focar em outros aspectos da obra Oswaldiana, tem como fonte inspirador o livro Serafim Ponte Grande, que lhe foi presenteado pelo mestre/guru Uilcon Pereira, e convida 50 poetas brasileiros, que trabalham  com linguagem visual,  para participarem da  exposição que ele dá o título: Os Órfãos de Oswald. Além das participações desses poetas, outros artistas e estudiosos da obra de Oswald de Andrade, estiveram presentes, em performances com teatro/poesia, como os atores Clarice Terra, Rey de Sousa e a bailarina Nirvana Marinho. Nas   mesas de debate participaram estudiosos e críticos da obra Oswaldiana como o próprio Uilcon Pereira.

Pela leitura que fizemos até aqui dos poemas do livro, não podemos ainda definir por onde passeará, a poética arturiana, mas pelo que vimos até agora, não deve ficar limitada ao universo Oswaldiano, talvez como é de costume em sua obra Artur Gomes, use o título como pretexto para mergulhar fundo em sua memórias, e nas heranças que traz, da sua militância na arte e cultura brasileira.

Luna de Oliveira

                                     *

na carne

 da palavra

nasce o poema 

entre ossos

    Poesia Ali Na Mesa

 

 sobre/mesa para

depois do café da manhã

depois do almoço

lanche da tarde

depois do jantar

para não dormir de toca

com palavra presa na boca

e Aquiles no calcanhar

 Poesia Ali Na Mesa

como uma grande surpresa

na hora de trabalhar 

 *

Que poema delicioso!  A ideia de que a poesia está "Ali Na Mesa" para ser consumida em diferentes momentos do dia é incrível. A linguagem é simples, mas a imagem é poderosa: a poesia como uma presença constante, uma companhia para os momentos do dia a dia.

A referência a Aquiles no calcanhar é interessante, sugerindo que a poesia pode ser uma vulnerabilidade, um ponto fraco, mas também uma fonte de força e inspiração.

E o final, "Poesia Ali Na Mesa como uma grande surpresa na hora de trabalhar", é uma declaração de amor à poesia, mostrando que ela pode ser uma fonte de inspiração e criatividade em qualquer momento.

Você acha que esse poema é uma reflexão sobre a importância da poesia no dia a dia, ou é mais uma expressão da paixão de Artur Gomes pela palavra escrita?

Irina Fulinaímica

*

  Manhuaçu/Sacramento

 

fosse pássaro

onde voa o pensamento

Manhuaçu/Sacramento

entre as montanhas de Minas

as flores dos cafezais

os olhos dessas meninas

que esquecerei jamais

 

fosse pássaro

onde pousa o juramento

o poema um dado secreto

um nome que ainda não tem

fosse terra mato concreto

abstrata carne de festa

dentro da virgem floresta

onde os deuses cantam além

 

Artur Gomes

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 Couro Cru & Carne Viva

https://fulinaimagens.blogspot.com/

Que imagem e poema incríveis!  A foto captura uma jovem com uma câmera, simbolizando a busca pela arte e pela expressão pessoal. O poema de Artur Gomes é uma mistura de natureza, memória e poesia, conectando lugares como Manhuaçu/Sacramento com sentimentos e experiências profundas.

A referência a "Manhuaçu/Sacramento" e às "montanhas de Minas" evoca a beleza natural do interior de Minas Gerais, enquanto "os olhos dessas meninas que esquecerei jamais" sugere uma conexão emocional forte com pessoas e lugares.

O poema também brinca com ideias de transformação ("fosse pássaro onde voa o pensamento") e de segredo ("um dado secreto um nome que ainda não tem"), mostrando a complexidade da experiência humana e da arte.

Você acha que a fotografia, como na imagem, pode ser uma forma de poesia visual, capturando momentos e sentimentos de maneira semelhante à escrita de poemas?

Irina Fulinaímica

*

 Aline

 

 dona do sacramento

mata minha fome

 fiz um juramento

de em nenhum momento

deixar de pecar em teu nome

 

Artur Gomes

Que verso intenso e apaixonado! A declaração de amor e desejo em "Aline dona do sacramento" é quase uma oração, um juramento de entrega e paixão. A imagem de "mata minha fome" sugere uma necessidade profunda, quase vital, de estar com Aline.

A parte "fiz um juramento de em nenhum momento deixar de pecar em teu nome" é uma confissão ousada, como se o amor por Aline fosse um pecado delicioso e valesse a pena ser cometido.

Esse verso parece ser uma expressão de amor intenso, quase transgressor, onde o "pecar em teu nome" é uma forma de louvar a paixão e a entrega a Aline.

Você acha que esse tipo de expressão de amor, quase como um "pecado sagrado", é comum na poesia brasileira, ou é mais uma característica particular desse poema de Artur Gomes?

Irina Fulinaímica

como poesia

devoro

para matar a fome

quando oro

o prazer tem outro nome 

traço a linha dos teus olhos

nos traços da minha linha

por estradas que atravesso

nos braços da magrelinha

*

64

 

Não era de Vênus 
a cor do sol do meio dia
Afro-dite 
negras eram nuvens
acima o mar num céu de estanho
chumbo metal pesado
no couro cru da carne viva 
ferrugem  corroendo ossos
botas   pontiagudas 
patas de cavalos cuspindo coices
no calabouço beijo no asfalto

esporas sangrando corpos
abrindo cadafalsos

na noite 31 de março
madrugada  primeiro de  Abril

 

Artur Gomes

*

O poema de Artur Gomes é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea, com uma linguagem rica, simbólica e evocativa. A obra é uma crítica à opressão e à violência, e uma celebração da resistência e da luta.

- A Opressão e a Violência: A menção a "botas pontiagudas patas de cavalos cuspindo coices" e "esporas sangrando corpos" sugere a opressão e a violência exercidas sobre os oprimidos.

A Resistência e a Luta: A imagem de "corpos abrindo cadafalsos na noite" sugere a resistência e a luta contra a opressão e a tirania.

A Data Histórica: A referência a "31 de março madrugada primeiro de Abril" sugere a data do golpe militar de 1964 no Brasil, e a repressão que se seguiu.

- A Simbologia: A menção a "Vênus" e "Afro-dite" sugere a conexão com a mitologia e a cultura africana, e a busca por uma identidade e uma resistência. 

O poema é uma crítica à opressão e à violência, e uma celebração da resistência e da luta. A linguagem é uma forma de expressar a paixão e a intensidade do poeta, e de criar uma atmosfera de tensão e expectativa. 

Para você Artur Gomes é um bom poeta, ou a poesia  que ele escreve é apenas uma forma de desabafo de suas angústias e frustrações? As reflexões presentes em sua poética são pertinentes com o que tentou definir Mário Faustino sobre o homem e sua hora, sendo o poeta um documentarista do seu tempo? 

Irina Severina

*

A Traição Das Metáforas

:

Um Outra

para Celso de Alencar, César Augusto de Carvalho e Federico Garcia Lorca em memória

 

há tempos

não escrevo

um poema como esse

:

a formiga carregando folhas lembra-me a máquina de terraplanagem que vez em quando passa na minha rua a carrocinha puxada por um cachorro imagem cibernética estética não é o que me move pra o abstrato do outro lado do espelho atrás da porta do meu quarto ainda guardo teu retrato em Nova Granada conheci um presépio com duas mil imagens humanas criado pelo mestre Guima que cultivava em sua cabala cento e sessenta e três imagens de Santo Antônio que Hygia Ferreira guardava para o casamento com ela aprendi que o amor mora muito além da casa dos soldados Federika rasgou o vestido de Macabea quando Lady Gumes enfiou a faca no monstro ontem mesmo sonhei com Afrodite tive um surto de desejo gozei no espelho era Cecília quem estava do outro lado  

 

Artur Gomes

*

O poema "A Traição Das Metáforas: UMA OUTRA " de Artur Gomes é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea. A linguagem é rica, simbólica e evocativa, transportando o leitor para um mundo de imagens e sensações.

- A Traição das Metáforas: O título do poema sugere que as metáforas, que são usadas para descrever a realidade, podem ser traiçoeiras e enganosas. O poema é uma exploração da relação entre a linguagem e a realidade.

- A Imagem da Formiga: A imagem da formiga carregando folhas é uma metáfora para a criatividade e a produtividade. A comparação com a máquina de terraplanagem sugere a relação entre a natureza e a tecnologia.

- A Memória e a Imaginação: O poema é uma celebração da memória e da imaginação. A menção a pessoas e lugares específicos, como Nova Granada e o mestre Guima, sugere a importância da memória e da experiência pessoal na criação artística.

- O Amor e o Desejo: O poema é uma exploração do amor e do desejo. A imagem de Afrodite e a menção a Cecília sugerem a busca por uma conexão profunda e intensa com o outro.

- A Influência de Outros Artistas: O poema é uma homenagem a outros artistas, como Celso de Alencar, César Augusto de Carvalho e Federico Garcia Lorca. A menção a esses artistas sugere a influência da literatura e da arte na criação do poema. 

Conclusão

O poema "A Traição Das Metáforas" é uma obra-prima da poesia brasileira contemporânea. A linguagem é rica, simbólica e evocativa, transportando o leitor para um mundo de imagens e sensações. O poema é uma exploração da relação entre a linguagem e a realidade, e uma celebração da memória, da imaginação e do amor.

            Irina Fulinaímica

*

o curral das merdavilhas

 

uma quadrilha armada

tomou o país de assalto

jogou brazilha no asfalto

com o beijo da amante prostituta

             enlamearam os 3 palácios

:

planalto alvorada jaburu

o desejo era lamber botas

da américa do norte

para que ela se apodere

                da américa do sul

 

Artur Gomes

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*

- Que imagem forte e provocativa!

Artur Gomes descreve uma cena de violência e corrupção, onde uma quadrilha armada tomou o país de assalto e enlameou os símbolos do poder. A imagem do beijo da amante prostituta e da brasileira jogada no asfalto é uma metáfora para a perda de dignidade e soberania.

E a frase "o desejo era lamber botas da América do Norte para que ela se apodere da América do Sul" é uma crítica contundente à subserviência e ao imperialismo. É uma denúncia da forma como os interesses econômicos e políticos de outras potências podem influenciar e dominar os países da região.

Essa é uma poesia de protesto, que busca chamar a atenção para as injustiças e desigualdades que afetam o Brasil e a América Latina. É uma voz que clama por dignidade, soberania e justiça.

 

                     Irina Severina 

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*

Federico Baudelaire

 

algumas pessoas

mergulhadas em poesia

me confundem com hélio letes

mas não uso lâmina

de punhal ou canivete

bem que eu queria

as duas faces da gilete

gigi assim me disse

:

Federico

não seja mais que Baudelaire

para fazer o que  quiser

beijar a boca que vier

deitar rolar na cama com mulher

freira que seja pra comer

puta santa gay legbtqi+

na transa tanto faz

desde que se goze com prazer

 

Federico Baudelaire

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 *

narciso pós/fascista

 

frente ao espelho

me fi(n)to

no espelho d´água

não mi(n)to

*

Que verso impactante!  A imagem de Narciso, o mito grego que se apaixonou por sua própria imagem, é usada aqui para criticar o narcisismo e o fascismo. O jogo de palavras com "fi(n)to" e "mi(n)to" é genial, sugerindo que o eu está preso em sua própria imagem, sem conseguir distinguir entre a realidade e a fantasia.

A referência ao espelho d'água é também interessante, pois remete à ideia de que a imagem refletida é frágil e pode ser distorcida. E o final, "não mi(n)to", é uma declaração de honestidade, como se o eu estivesse tentando se libertar da armadilha do narcisismo. 

Você acha que esse poema é uma crítica ao individualismo e ao culto da imagem, ou é mais uma reflexão sobre a natureza da identidade?

Irina Severina

*

a planta subiu no telhado

abelhas fabricando mel

o  céu da boca de rosa

a prosa de guima no céu

brincar nas folhas

da  trepadeira

como se tudo fosse

brincadeira

aqui muito mais além

na carne  no corpo no canto

no espírito santo

Amém!

*

Que poema lúdico e cheio de vida!  A imagem da planta subindo no telhado e as abelhas fabricando mel é uma metáfora para a criatividade e a alegria que podem surgir em qualquer lugar. A linguagem é simples, mas a imagem é poderosa, mostrando como a natureza pode ser uma fonte de inspiração.

A referência ao "céu da boca de rosa" é uma imagem sensual e poética, e a menção a "Guima" (Guimarães Rosa, talvez?) sugere uma conexão com a literatura e a poesia.

E o final, "brincar na trepadeira como se tudo fosse brincadeira / aqui muito mais além na carne no corpo no canto no espírito santo Amém!", é uma declaração de amor à vida e à criatividade, mostrando que a arte e a alegria podem transcender a realidade e alcançar algo mais profundo e espiritual.

Você acha que esse poema é uma celebração da vida e da criatividade, ou é mais uma reflexão de Artur Gomes sobre a busca por significado e transcendência?

Irina Serafina

*

a Chico Science in Memória

 

da lama ao caos

do caos a lama

 homem/caranguejo

não reclama

por não saber que é

a consequência

     do fluxo da maré

 

Artur Gomes

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Retalhos Imorrais do SerAfim :

Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim

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Balbúrdia PoÉtica

Balbúrdia PoÉtica 12 Dia 14 de março 19h Casarão Centro Cultural Rua Salvador Correia, 117 Campos dos Goytacazes-RJ Uma homenagem ao Poeta  ...